Leitor,
Pare!
Leia!
Pondere!
Decida-se!

SE ACREDITA QUE A INTELIGÊNCIA

SE FIXOU TODINHA EM LISBOA

NAO ENTRE NESTE ESPAÇO...

Motivo: A "QUINTA LUSITANA "

ESTÁ SITUADA NA PROVÍNCIA...

QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É...

e cordialmente se subscreve,
Brasilino Godinho

domingo, dezembro 19, 2010

SER CRIADO, INDEFESO, ESTÁ CHATEADO…

Brasilino Godinho

brasilino.godinho@gmail.com

http://quintalusitana.blog.spot.com

01. Vamos falar de uma criatura indefesa. Deveras especial. Trata-se de um ser com cabeça, tronco, membros, formatado no molde correntio; o qual, se configura em planos frontal, laterais e traseiro. Possui diversos órgãos de orientação, sonorização, alimentação, digestão, filtragem, pulsação e evacuação. Não está sofredor do peso dos anos acumulados ao longo de uma existência calma, em que não se registaram traumatismos cranianos, problemas circulatórios ou mazelas reumatismais, a que muitos desprevenidos e afoitos indígenas estão sujeitos com maior frequência e gravidade. Tem um físico relativamente robusto, embora de vez em quando lhe surjam alguns transtornos que, momentaneamente, lhe afectam o arcaboiço, os órgãos, as entranhas ou os membros – o que se repercute na funcionalidade do seu corpo; a qual, é facilmente recuperada por mercê da pronta assistência médica que lhe é aplicada. O aspecto é agradável à vista; esta, que se quer apropriadamente, desarmada de preconceitos e despida de animosidades. Discreto, quanto baste ao seu bom desempenho cívico e à conveniente reputação no meio ambiente em que, naturalmente, se insere sem esforço ou dano público. Elegante, desenvolto, circula regularmente - o que se deve ao facto de a idade não lhe tolher os movimentos. Assim prudente. Pois sem cair na tentação das grandes correrias. Ademais, é fiel aos princípios da Paz, da Ecologia e da Fraternidade entre todos os seres e componentes materiais e imateriais da santa madre Natureza, também integrantes do tecido social. Sobretudo, não empesta o ambiente com cheiros pestilentos, nem contribui para a poluição sonora, porque não dado a grandes e ruidosos espalhafatos. Também não é agressivo nem investe sobre qualquer objecto móvel ou animal; aliás, situando-se mesmo longe daquele infernal embuste que espíritos mal intencionados e pior conformados são levados a arquitectar através das suas malévolas fantasias, imaginando-o como um touro colocado em lide de arena da praça taurina do Campo Pequeno de Lisboa.

Registe-se que, quando parado, nem faz mal a uma mosca. Porém, em andamento, tenderá a pisar indelicadamente as formigas, as lesmas, os cágados, os camaleões, as aranhas de mau porte, as víboras ou outros repelentes insectos e malquistos répteis, que se lhe atravessem no caminho. Portanto, é um membro citadino, adaptado à civilidade que, certamente, pelo facto de não ter barbatanas ou asas não faz ondas em mar calmo, nem voos rasantes ou picados como quaisquer daquelas aves de arribação que costumam visitar-nos em determinadas épocas do ano.

Detém a invulgar característica de ser um bom companheiro que, assiduamente, se presta a colaborar com o semelhante nas andanças da vida.

Porém, apesar do seu ar bonacheirão e do seu bom aspecto, tem o azar de concitar da parte da polícia de boa e má segurança pública e dos melhores ou piores costumes - seleccionados a esmo - do burgo aveirense, uma inopinada malquerença, um soberano desprezo e uma enorme desconsideração; mesmo que na condição de vítima de agressões a que, por vezes, nesta época de todas as inconveniências e arbitrariedades oficiais e privadas, está sujeito qualquer cidadão supostamente usufruindo de todas as garantias constitucionais.

Assim exposta a figura, as suas características, os préstimos (e parafraseando Ortega y Gasset), também subentendendo o facto de ser ele e as suas circunstâncias, será altura de darmos informação de uma anormalidade visível a olho nu em seu estado de alma, que nos traz preocupados: todos que lhe dispensamos consideração e respeito.

Pois acontece que, dadas as relações de proximidade e de dependência mútua que mantemos há anos, vimos notando nas últimas três semanas que o dito compincha anda chateado. Muito chateado! Com tanta agressão e tamanhas desconsiderações, perdeu a paciência.

E não é para menos. Num espaço de 8 dias foi atropelado duas vezes.

Da primeira vez, passava na passadeira de uma avenida, precisamente incorporado numa procissão não religiosa, de seus semelhantes, que seguia na faixa da direita, ao mesmo tempo que vinha, no lado esquerdo, outra procissão análoga em sentido contrário; eis senão quando surge à ilharga, do lado esquerdo, lançado em corrida desenfreada, um jovem que arremete contra o nosso “compincha”. Foi um instante dramático. Um susto! No momento, receou-se pela vida do atropelante (o cidadão) e pela integridade física do atropelado (o nosso compincha). Felizmente não houve danos físicos ou materiais em ambas as criaturas. Restaram as mossas espirituais…

Na segunda vez, quase “nas barbas da polícia”, defronte do seu quartel, estando a pacata criatura parada junto ao lancil do passeio, foi agredida brutalmente por uma carrinha que tentava estacionar logo à frente. Desta vez houve graves danos físicos que atingiram a zona frontal da criatura em causa.

A gravidade da situação impôs a necessidade de chamar o pronto-socorro que conduziu o acidentado ao estabelecimento hospitalar especializado a fim de receber os devidos cuidados de emergência terapêutica.

02. Isto escrito em forma de introdução à chamada de atenção dirigida ao respeitável público e às distraídas autoridades que aqui formalizamos no sentido de que, no interesse da comunidade, é urgente uma tomada de consciência de que quando há um acidente de trânsito sobre uma passadeira de peões, como sucedeu no primeiro caso referido, nem sempre a culpa cabe ao automóvel.

A própria polícia, eventualmente, por deformação profissional assimilada pela rotina dos casos diários que se sucedem numa cadência dramática, chamada a tomar conta da ocorrência, tende a, desde logo, atribuir a culpa do acidente ao automóvel. È uma atitude precipitada e que, nalgumas ocasiões, não corresponde à realidade do facto. Todos devemos ter consciência de duas coisas:

- a primeira, é que nem só os carros atropelam as pessoas. Também há pessoas que atropelam os carros. Não ter isso em consideração é reagir precipitadamente. Mais: corresponde a uma abusiva, incorrecta e extensiva interpretação das disposições legais;

- a segunda, é que urge desenvolver uma campanha de informação no sentido de dar conhecimento às pessoas de que o facto de haver uma passadeira de peões, não lhes confere o direito de, em qualquer circunstância, fazerem a travessia; muito menos a correr – o que induz a percepção, por parte do peão prevaricador, de não ter a prioridade na passagem e tentar a sua sorte de escapar ao atropelamento que se lhe afigura possível ou iminente.

É que a passadeira tanto serve para o peão a atravessar com tranquilidade, andando e não correndo, sempre na altura própria, em que não estejam passando filas de carros em trânsito como, igualmente, serve para o automóvel a transpor em segurança. Os peões só têm prioridade se, à aproximação de um carro isolado, já estiverem na passadeira, nem que seja com um pé nela assente. Nessa circunstância, qualquer automóvel, não enfileirado, que se aproxime, terá que parar e conceder ao peão a prioridade na passagem.

Se assim não for (circulando os carros em fila) o peão, parado no passeio, deve aguardar oportunidade de livre trânsito para fazer a travessia.

03. Entretanto, dada a existência dos inimigos do automóvel e dos automobilistas; evidenciada, no dia-a-dia, a incompreensão das autoridades e face à realidade de muitos rostos pálidos conhecerem as fatídicas transgressões, que acontecem numa cadência assustadora; talvez seja a altura de se pensar na defesa dos direitos do automóvel. Ou seja, criar uma LIGA DOS AMIGOS DO AUTOMÓVEL…

Outrossim, a título de desagravo e reconhecimento pelos serviços que presta ao colectivo dos cidadãos, deve o Governo instituir já, sem delonga, o DIA DO AUTOMÓVEL!!!