Leitor,
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Leia!
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SE ACREDITA QUE A INTELIGÊNCIA

SE FIXOU TODINHA EM LISBOA

NAO ENTRE NESTE ESPAÇO...

Motivo: A "QUINTA LUSITANA "

ESTÁ SITUADA NA PROVÍNCIA...

QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É...

e cordialmente se subscreve,
Brasilino Godinho

sábado, julho 12, 2014

PIOR A EMENDA (da personagem coelhal )

QUE O SONETO (a complexa crise do BES)

Brasilino Godinho

 

Passos diz:

- depositantes podem confiar no BES

Lusa



Cala-te, boca...
Motivo: o azar de mosca só entrar «quando o rei faz anos...»


O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, disse hoje, dia 11 de Julho de 2014, que os depositantes do Banco Espírito Santo (BES) têm razões para confiar no banco e afirmou não ter dúvidas quanto à tranquilidade do sistema financeiro português.”
"Os depositantes têm razões para ter toda a confiança quanto à segurança que o Banco Espirito Santo oferece às suas poupanças, disse Pedro Passos Coelho.”


Por Brasilino Godinho
A banca nacional está a passar um mau bocado face ao temporal que se levantou no campo do BES. A origem e a situação vigente têm a ver com uma grave crise financeira que afecta o banco BES, o grupo da famíia Espírito Santo e a economia portuguesa. Também com repercussões internacionais.
O chefe do governo tem vindo a proclamar que ele e o governo nada têm a ver com os problemas da instituição bancária.
Porém, hoje, talvez reagindo à vaga internacional de alarmes e às oscilações dos mercados bolsistas, em várias capitais financeiras, Passos Coelho veio fazer o pronunciamento acima citado em título de referência.
Mais uma vez se contradisse. E como se costuma dizer: perdeu oportunidade de estar calado. A outra entidade, Banco de Portugal, cumpria desempenhar-se dessa tarefa, com mais competência e melhor aceitação pelo público e pelos mercados internacionais.
Se é admissível que haja o cuidado de sossegar os depositantes do banco BES e evitar que se instale o pânico, nunca esse objectivo estará ao alcance do actual chefe do governo. Pela simples razão que não se encontra credenciado para isso.
O pior é que com a sua atitude concitou mais dificuldades às entidades bancárias nacionais, visto que os efeitos decorrentes das suas declarações contrariam o propósito implícito na iniciativa. Iniciativa que não facilita a instauração de um clima de serenidade e de confiança no sistema bancário nacional. Decerto a declaração de Passos Coelho aviva a desconfiança na banca e a suspeita de insegurança dos depósitos confiados à guarda e gestão das entidades bancárias. Aliás, reflexos vários e dispersos por diferentes latitudes, que justificarão os dois comunicados que o Banco de Portugal endereçou aos órgãos da comunicação social no espaço das últimas 24 horas, tendentes a tranquilizar os depositantes do BES, os clientes dos estabelecimentos bancários de Portugal e o mundo da alta finança internacional.
Para melhor se ajuizar o papel de Pedro Passos Coelho na actual situação, tenha-se presente o filme-documentário da vida política de Pedro Passos Coelho.
Desde há três anos que o chefe do governo anda envolvido num permanente conflito, quase diário, entre a verdade do que faz mal e a mentira do que promete fazer bem. Conflito insanável, como está amplamente demonstrado, acontece que quase sempre a mentira do prometido se evidencia e se sobrepõe à verdade da negativa prática descumpridora do compromisso assumido.
Cremos que nos meios indígenas prevalece a opinião de que, em sede coelhal, à verdade dos procedimentos transgressores da palavra dada, corresponde uma outra verdade anterior: a mentira das promessas. Estas, dir-se-ia que por norma, são posteriormente ignoradas ou subvertidas. Ou seja: em primeira fase, o chefe do governo, promete ou garante; na segunda fase, conclusiva, esquece o prometido e quanto a garantias foi um ar que lhes deu.
Com este historial o chefe do governo não deveria ter intervido na latente questão bancária por não reunir condições de credibilidade junto dos portugueses.
E sem irmos mais longe nos considerandos, atente-se no teor de nula objectividade da declaração de Passos Coelho citada no início desta crónica:
"Os depositantes têm razões para ter toda a confiança quanto à segurança que o Banco Espirito Santo oferece às suas poupanças".
Então ele que vinha dizendo que não tinha nada a ver com a situação do BES, diz agora o que os leitores acabam de ler.
Claro que devemos lançar a seguintes interrogações: Quais são as razões que os depositantes têm? De ciência certa quem as conhece? Como ele sabe que os depositantes têm razões para ter confiança? E logo (imagine-se!) toda – repare-se no tom peremptório. Que conhecimento ele tem ou quem lhe falou da suposta segurança que o BES oferece às poupanças?
Mais observando: se por absurdo aceitássemos como válida a afirmação do chefe do governo faria sentido perguntar-lhe: Passos Coelho também tem razões para confiar na oferecida segurança às poupanças? Serão as mesmas dos depositantes? Ou, por acaso, diferentes?
Verdade seja dita: a situação geral de Portugal e de suas gentes descambou num insuportável pântano mal-cheiroso onde proliferam as mais destrambelhadas aberrações político/administrativas e as avassaladoras corrupções que tudo subvertem. E que também aniquilam o que de melhor, de mais útil e de benéfico, vai restando ou resistindo à calamidade a que estamos sujeitos.
A questão aqui tratada é mais um episódio da mesma via de destruição do país.
Fim