Leitor,
Pare!
Leia!
Pondere!
Decida-se!

SE ACREDITA QUE A INTELIGÊNCIA

SE FIXOU TODINHA EM LISBOA

NAO ENTRE NESTE ESPAÇO...

Motivo: A "QUINTA LUSITANA "

ESTÁ SITUADA NA PROVÍNCIA...

QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É...

e cordialmente se subscreve,
Brasilino Godinho

sexta-feira, julho 13, 2007

Estimadíssimas damas,

Caros senhores,

Com algum atraso, por motivos de força maior, junto as SARAIVADAS da semana.

Espero que me relevem o contratempo.

Desejo que a leitura vos seja agradável.

Sempre a considerá-los! Com alto apreço e amizade.

Cumprimento.

Brasilino Godinho

SARAIVADAS…

Ou as confissões do Arq.º Saraiva…

Brasilino Godinho

brasilino.godinh@gmail.com

http://quintalusitana.blogspot.com

Tema I: Saraiva numa onda de anedotas…

José António Saraiva, no dia 07/07/07, talvez por ser uma data cabalística e para arredar de todo qualquer ideia de ocultismo no seu “viver para contar”, brindou-nos com um escrito sob o título “Os nossos irmãos”; o qual, a pretexto da fraternidade existente ou pressentida entre portugueses e brasileiros, lhe serviu às maravilhas para contar uma série de anedotas.

Se é certo que Saraiva parece “viver para contar” e se tem escrito sobre tantas coisas, não haverá dúvidas que lhe estava faltando a lembrança de contar anedotas.

Agora decidiu-se. Ainda bem! Apreciei. Os momentos de descontracção e de riso são sempre bem-vindos.

Mas na sua crónica há uma referência que me deixou atónito. E que releva de descuido de José António Saraiva ou de ignorância da minha parte. Eu que julgava conhecer os currículos profissionais de Le Corbusier, de Lúcio Costa e Óscar Niemeyer.

Escreveu Saraiva: (…) edifício do Ministério da Educação (do Brasil), obra de Lúcio Costa e Óscar Niemeyer, sob a direcção de Le Corbusier”.

Vamos lá a ver se nos entendemos: Ministério da Educação, obra de Lúcio Costa e Óscar Niemeyer? Ou projecto? Ou projecto e obra? E uma coisa ou outra, ou mesmo as duas, concebidas e executadas sob a direcção de Le Corbusier? Se elaborada ou executada sobre a direcção deste arquitecto francês, não teria cabimento falar-se de obra de Lúcio Costa e Óscar Niemeyer. Deveria dizer-se obra ou projecto ou as duas coisas, da autoria e direcção de Le Corbusier. O que equivaleria a considerar que os dois técnicos brasileiros teriam sido simplesmente colaboradores, embora qualificados, de Le Corbusier. Há algo que não bate certo. Como não quero ficar na dúvida e se José António Saraiva não tiver a bondade de me esclarecer, daqui uma semana irei contactar Óscar Niemeyer (dos três técnicos, o único que está vivo) no sentido de obter dele informação precisa sobre este assunto.

A menos que, por falta de agudeza de espírito, eu tenho caído no logro de não considerar a referência em causa como mais uma das anedotas mencionadas pelo Arq.º Saraiva.

Tema II – O nosso “Primeiro” ter-se-á perdido… Saraiva não faz a coisa por menos: quer Sócrates de volta…

Sim senhor! Quem fala assim não é gago.

Na mesma data cabalística de 07/07/07, José António Saraiva editou um texto sobre Sócrates. Ao contrário da anterior, nesta intervenção jornalística, a atmosfera cabalística deve ter causado alguma perturbação no meio ambiente onde ela foi congeminada e desenvolvida em letra de forma. Eventualmente, repercutido na mente de Saraiva.

O jornalista Saraiva admite que Sócrates dantes “vendia saúde” e que, na actualidade, ele e o Governo meteram-se por becos sem saída. O que causou o desgaste e a fraqueza da criatura. Mas pior que isso decorre do facto de Saraiva crer, firmemente, que Sócrates já não e um “animal feroz”. Daqui a grande frustração de Saraiva expressa no desabafo angustiante: “Isso fez com que deixasse de ser um super-homem e se tornasse um simples mortal”. Uma grande gaita! - desculpem a expressão. Como se não fosse pouco Sócrates deixar de ser o super-homem (segundo a fértil imaginação de Saraiva), ainda se acrescentou a terrível circunstância de se ter tornado mortal. Uma tragédia! Uma desgraça nunca vem só…

Daqui resultou a conclusão de José António Saraiva: “Torna-se desnecessário dizer quanto isto é mau para Sócrates e para a própria democracia”. Mau? Mau é terem-se pensamentos destes.

A seguir, Saraiva faz uma ligeira incursão no campo da filosofia política e estatela-se ao comprido no chão das confusões e incongruências.

Repare-se no seguinte trecho: “A principal doença dos regimes democráticos, como repetidamente tenho afirmado, é a fragilidade do poder político. Um poder fraco é o terreno onde florescem todos os oportunismos. Por isso digo: Queremos Sócrates de volta”. Esse Sócrates, conforme o figurino de Saraiva? Safa! Que mau gosto…

Tenho como dado adquirido que Saraiva já esqueceu a aprendizagem da Filosofia dos tempos de estudante liceal.

Estou convencido que o mal está em Saraiva ter repetidamente afirmado. Igualmente, diz querer Sócrates. Diz mal!

No tempo que passa José António Saraiva está obcecado pela fragilidade do “poder político”. Às vezes, até julgo que Saraiva tem inculcado no subconsciente o modelo da democracia orgânica e musculada de Oliveira Salazar. No regime salazarista tinha Saraiva a demonstração do vigor de um poder forte. Só uma pergunta: Nele não floresciam todos os oportunismos?

Esta é uma matéria que aqui tratada levaria a uma longa exposição.

Todavia, vale a pena notar que Saraiva não se revela capaz de fazer a destrinça ente autoritarismo e autoridade. Enquanto o autoritarismo se exerce pela razão da força, da arrogância, da prepotência e o recurso àquilo que se pode designar pelos expedientes da baixa política; a autoridade impõe-se pelo uso da razão, pela grandeza moral dos governantes e das suas capacidades de definir orientações e decretar medidas que vão ao encontro das aspirações da sociedade. E nestas práticas da Política - na sua verdadeira dimensão, que não prescinde da insubstituível componente ética - considerada como arte ou ciência de governar o Estado se revê o exercício de um poder forte sem violências, sem constrangimentos sociais e sem arbitrariedades. Enfim, quando se fala de Política é imprescindível ir mais longe do que atender simplesmente às superficialidades e exteriorizações mediáticas do Poder.

Evidentemente, com dispensa de ´”animais ferozes” tipo Sócrates e de aprendizes de ditadores arrogantes, “desafiadores” e dos alcunhados super-homens.

É de políticos íntegros, competentes, determinados, de mentalidade superior e de espírito aberto e sensível aos problemas da sociedade, que Portugal está carente. Sim, de Homens!

Haverá que formá-los.

Aqui apetece-me evocar o que escreveu o eminente Professor Doutor Serras e Silva, no tempo de Oliveira Salazar: “Formar homens importa muito mais do que divertir o público com marchas empertigadas, em que se afecta um vigor que não existe e uma mentalidade que é apenas exterior e coreográfica”.