Leitor,
Pare!
Leia!
Pondere!
Decida-se!

SE ACREDITA QUE A INTELIGÊNCIA

SE FIXOU TODINHA EM LISBOA

NAO ENTRE NESTE ESPAÇO...

Motivo: A "QUINTA LUSITANA "

ESTÁ SITUADA NA PROVÍNCIA...

QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É...

e cordialmente se subscreve,
Brasilino Godinho

terça-feira, dezembro 11, 2007

Um texto sem tabus…

FANTÁSTICO! SURGIDOS DO NADA AÍ ESTÃO OS INVULGARES ESPECIALISTAS…

Brasilino Godinho

brasilino.godinho@gmail.com

http://quintalusitana.blogspot.com

01 - Neste momento estamos com vontade de satisfazer um desejo. Apetecia-nos iniciar esta crónica transcrevendo dos “LUSÍADAS” os seguintes versos: Cesse tudo o que a musa antiga canta/que outro valor mais alto se alevanta… O que conferia ao assunto uma aura imerecida.

Também estivemos tentados em classificar de “milagre” o fenómeno. Só não fomos avante com a ideia porque seria dar-lhe conotação sobrenatural de todo desajustada. Por conseguinte, atemo-nos a um certo comedimento.

Mas que estamos face a algo extraordinário que deve levar-nos a profunda reflexão não haverá dúvidas a contrapor.

Como é sabido o Zé-Povinho está de tanga e mal amanhado (recorremos à expressão açoriana). A Nação definha. O País está desacreditado. A política nacional deu em droga repelente e detestável. O Ensino e a Educação andam perdidos pelas ruas da amargura, ao deus-dará. Os estudantes pouco aprendem e devem beneficiar das passagens administrativas nos finais dos anos lectivos para fazer ver aos tecnocratas de Bruxelas que por aqui, neste canto ocidental da Europa, não existe desaproveitamento nem abandono escolar. Concomitantemente, aos professores faculta-se, generosamente como dádiva do Senhor, a obrigação de serem compreensivos para com os alunos ao ponto de os deixarem à rédea solta, sem lhes imporem deveres, obrigações e trabalhos de casa, a fim de ficarem livres para a frequência da importante disciplina do lazer e das discotecas. Mais se recomenda aos docentes que não se esquivem às agressões, suportando-as com um rasgado sorriso de apreço pelos discentes agressores; o qual será, obviamente, demonstrativo de elevado sentido de integração numa moderna prática pedagógica de reconhecidos benefícios muito caros ao pessoal do ministério tutelar. Sobretudo, não devem sobrecarregar os instruendos com os estudos das matérias para além de certos limites mínimos e razoáveis a fim de eles não inculcarem traumas de esforço e sacrifício que os marquem para sempre. O laxismo é a panaceia considerada pelas sumidades asiladas no “Ministério da Deseducação Nacional”, do mais básico para se firmar o futuro da grei. Deverão os moços desaprender o português, ignorar a Filosofia, e negligenciar a Matemática. Ao invés, os alunos devem, a partir dos primeiros anos da escolaridade, praticar intensivamente os jogos de computador (oferecido pelo chefe Sócrates) durante as aulas e concentrarem o maior empenho (recomendado pela criatura socrática) na aprendizagem e prática do Inglês que parece vir a substituir, brevemente, a actual e adulterada língua pátria. Os estudos das disciplinas curriculares dos cursos secundários e universitários cingir-se-ão aos níveis de aprendizagens suficientes para assegurarem o canudo como nota de diferenciação relativamente aos iletrados e permitir a fácil entrada na vida profissional mediante a aquisição dos grandes tachos expostos no mercado do grande tráfico das influências a cada qual atinentes. Está estabelecido pelas altas inteligências do Estado que assim iremos longe e terá de ser; para bem da espécie dos iluminados pelo espírito do Grande Arquitecto do Universo – espécie que se quer livre de embaraçosos contágios e de maus ambientes, que só servem para empatar as sábias excelências e lhes infernizar as confortáveis existências.

E como este é o estado de uma Nação mal constituída e organizada em torno de uma minoria exploradora, cínica e de péssimos costumes, a que se submete docilmente uma maioria conformista com a sua sorte que prima pelas incapacidades, repartidas entre os seus membros; pelos fracos níveis de leitura; pelas faltas de compreensão pelo que lê ou ouve; pelas extremas dificuldades de apreensão das ideias e dos conceitos; e pelas fracas apetências pelo Conhecimento e pela Cultura; causa a maior estranheza que, de repente, sejamos confrontados com o facto insólito de muitos portugueses, de todas as condições sociais, terem passado a demonstrar variados padrões de saberes acerca de infra-estruturas aeroportuárias. É um mistério intrigante Hoje, em qualquer tertúlia de café, à esquina da rua de um lugar sertanejo, nas tertúlias alfacinhas, por tudo que é sítio, nos jornais, rádios e televisões, qualquer bicho-careto dá opiniões “incontornáveis” (como está na moda dizer-se) sobre a localização, construção e funcionamento do futuro aeroporto de interesse nacional, impropriamente designado de Lisboa.

Desde: o João Soares que, se pudesse, colocava o aeroporto à porta da residência do papá Mário Soares, ali ao Campo Grande, em Lisboa; o Menezes que (eventualmente, precedendo ida a consulta de insinuante mulher de virtude, vulgo bruxa, com consultório no município de Gaia) já avisou que vai anunciar a sua opção quanto ao local onde o quer construído; o Van Zeller, da CIP, que promoveu um estudo para a localização no Campo de Tiro de Alcochete; o Moreira, da Associação Comercial do Porto, que encomendou à Universidade Católica uma tese que recomenda a Portela mais 1 (Montijo); a Roseta, o Portas e seus rapazes do parlamento, que o querem na Portela; o Viegas que prefere colocá-lo na margem sul, no Pinhal Novo; o Lino e os autarcas do Oeste que o desejam na Ota; até ao colectivo dos comunistas e à legião dos anónimos que discutem acaloradamente as suas opções individuais; todos, cientes das suas sabedorias rapidamente adquiridas e melhor assimiladas, ditam as suas sentenças. Infalíveis! Definitivas! No meio desta barafunda, surpreendentemente, não se registou a opinião da Igreja Católica que, se calhar, escolheria a Serra de Aire, ali bem juntinho a Fátima; podendo sem esforço de argumentação invocar a seu favor a circunstância de o santuário mariano ser o mais movimentado centro turístico do País. Uma omissão estranha Quiçá descuido de uma instituição que tem sempre opiniões sobre todas as coisas e loisas do nosso quotidiano. Será?

Quer isto dizer o seguinte: num Portugal atrasado, de muitas incompetências encartadas, de inúmeras ignorâncias atrevidas, em que quase tudo falha, às tantas descobre-se que – afinal - possuímos em reserva da República, desconhecida, uma riqueza imensa A de sapientes cabeças pensadoras especializadas numa área tão restrita como é a dos estudos sobre aeroportos.

Claro que nesta história mal contada do futuro aeroporto há consideráveis jogadas políticas e tenebrosos interesses em jogo. Algo que transparece da circunstância de se manterem secretos os nomes das entidades que financiaram os estudos em discussão. Decerto quem se esquiva a dar a cara, alguma coisa esconde Há dias João Cravinho referindo-se ao estudo da CIP dizia: “Num país decente não é aceitável que os estudos sobre o mais importante investimento estrutural sejam financiados por gente que não se quer dar a conhecer”. Só que Cravinho, sabendo que os “irmãos” se escondem, mostra-se espantado com os secretismos que tão bem conhece e com inaudita candura quer dar a ideia de que está a leste da realidade. Ou seja: o País é decente mas está à mercê de uma bicharada indecente. O que faz a dramática diferença.

02 – A questão do encerramento do aeroporto da Portela e a sua substituição por outra infra-estrutura bem localizada, moderna, devidamente dimensionada e melhor apetrechada, começou a ser debatida a nível governamental nos anos cinquenta do século passado. Desde então o Aeroporto da Portela tem-se mantido permanentemente em obras de carácter provisório impostas pelo crescimento do tráfego aéreo. Até chegar ao último decénio no decurso do qual se tomaram decisões quanto à construção do aeroporto na Ota.

Nos últimos anos surgiram fortes contestações à solução Ota. A partir dos primeiros meses de 2007 bastante gente se movimentou no sentido de a contrariar.

Não opinaremos sobre as localizações apontadas nos estudos em confronto que estão postos à apreciação do LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

Todavia, em todo este imbróglio existem aspectos de altíssima relevância que não temos visto serem objecto de ponderação.

Logo à partida a absoluta necessidade de eliminar o Aeroporto da Portela por duas elementares razões: a de segurança do tráfego aéreo sobre a cidade e de o aeroporto se localizar numa zona sísmica de elevado potencial de risco de ocorrências de terramotos que, diga-se de passagem, é extensivo a uma cidade que sofreu o terrível cataclismo às 9h:20’, de 01 de Novembro de 1755. Uma nova localização do aeroporto na margem sul comportaria acentuada perigosidade por se situar num corredor de fractura de camadas geológicas.

Constitui um erro grosseiro e factor de enorme insegurança manter um aeroporto de grande tráfego internacional (como é o da Portela) no centro da cidade. Já houve ocasiões em que esteve iminente uma catástrofe - situações não divulgadas para não provocarem alarme na população. Se tem havido sorte de não ocorrências de tragédias a hipótese de um dia acontecer uma catástrofe em Lisboa não se pode descartar. Ninguém se lembra do funesto acontecimento de Camarate? As perdas de vida humanas e os estragos causados pela queda de um avião ligeiro não alertam as autoridades para a contingência de acidentes de maiores proporções?

Ainda há poucos anos caiu um avião Concord na periferia de Paria – desastre que arrastou a decisão de cessar a produção dessas aeronaves. E em Congonhas, S. Paulo, Brasil, já se registaram, em datas recentes, dois desastres de trágicas consequências materiais e com perdas de vidas. O que serve para reforçar a certeza de não existirem meios infalíveis de evitar situações de catástrofe nas áreas dos aeroportos. È elementar isso considerar. Também dever dos responsáveis não proporcionarem condições propícias a trágicas ocorrências.

Portanto, urge “erradicar” o Aeroporto da Portela que, para mais avolumar os perigos, se situa numa zona com o espaço aéreo saturado de tráfegos repartidos por vários aeródromos nela dispersos a curtas distâncias uns dos outros.

Tão ou mais importante que os custos da construção e manutenção do aeroporto e a imprescindível “eficácia do investimento em relação ao objectivo” é o factor segurança. Ele deve sobrepor-se a todos os outros requisitos exigíveis a uma moderna e eficiente estrutura aeroportuária. No caso vertente, a bem da tranquilidade da população de Lisboa e dos portugueses que, ocasionalmente, demandam a capital do país.