Leitor,
Pare!
Leia!
Pondere!
Decida-se!

SE ACREDITA QUE A INTELIGÊNCIA

SE FIXOU TODINHA EM LISBOA

NAO ENTRE NESTE ESPAÇO...

Motivo: A "QUINTA LUSITANA "

ESTÁ SITUADA NA PROVÍNCIA...

QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É...

e cordialmente se subscreve,
Brasilino Godinho

domingo, setembro 23, 2012


Ao compasso do tempo…

MINISTRO DO INTERIOR LARANJA.
QUAL DISPLICENTE CIGARRA…

Brasilino Godinho

O ministro, do interior laranja, que no governo da coligação exerce as funções da administração interna do seu respectivo espaço territorial e que, por extensão institucional, também é a ministerial figura a quem cabe a orientação política e o comando policial daqueloutro território de âmbito nacional, que há nome de Portugal, segue o padrão de conduta dos seus pares que fazem gala, adquirem consolo espiritual, quiçá conseguindo determinado proveito pessoal como as ajudas de custo e subsídios de marcha, em se entreterem regularmente: a passear pelo país, a confraternizar com amigos e companheiros, a fazer inaugurações, a visitar fábricas metalomecânicas e de chocolates, a percorrer estabelecimentos comerciais, feiras e mercados, a participar em diversos espectáculos teatrais, circenses e musicais, etc. Hoje, o referido ministro esteve numa povoação do concelho de Vouzela ocupado na tarefa mui trabalhosa e demasiado esforçada(…) de inaugurar a nove sede dos trinta bombeiros locais.
Claro que aproveitou a oportunidade para dar um ar de sua (des)graça abstrusa brindando os escassos assistentes com a metáfora da cigarra preguiçosa e da formiga trabalhadora.
Sua excelência disse: “Portugal é um país com muitas cigarras e poucas formigas”. E acrescentou uma nota de enaltecimento do “esforço do povo” para ultrapassar a crise – o que, desde logo, no tempo actual e face à paradigmática e obscena barafunda governativa em curso de inequívoca expansão, acentua, sobremodo, a conotação de um deplorável cinismo. Outrossim, terá sido a pacóvia demonstração de um exacerbado oportunismo.
Ora o povo conserva a impressão de que os governantes agem como se fossem cigarras preguiçosas que adiam indefinidamente os estudos, os programas, os trabalhos, as soluções e as medidas, recorrendo a todos os estratagemas para iludirem a sua provada ineficácia, a sua reconhecida incompetência, a sua insuportável pesporrência e as suas perniciosas práticas de intolerável arbitrariedade e execrável autoritarismo; umas e outras reflectidas nas decisões políticas e administrativas que vão impondo sem rei nem roque. Daí se poder concluir que o ministro em causa se deve incluir no grande número das cigarras parasitas que tão prejudiciais são para a sociedade…
Pois é! Assentemos que ao ministro, do interior laranja, lhe saiu o tiro pela culatra…
Dizer que “Portugal tem poucas formigas”, embora expressão metafórica, é uma fala afrontosa para milhões de portugueses que trabalham afincadamente e desta maneira aviltante são taxados de preguiçosos. Mais: ela é extremamente lesiva da dignidade do ser português e degradante da imagem do País. Não haja dúvida que a ministerial figura cometeu uma grave ofensa à nação portuguesa. O ministro, do interior laranja, deve rapidamente apresentar desculpas ao povo português e solicitar-lhe perdão. Inclusivamente, sujeitando-se a pena de expiação que poderia ser a imediata demissão do cargo governamental.
E no que toca a quase um milhão de trabalhadores que estão desempregados, atente-se que se não trabalham a culpa nem é deles. Muitas cigarras atrevidas, alguns macacos grotescos, bastantes cotovias rutilantes e inumeráveis papagaios desavergonhados, da quinta governamental tutelada pela incrível dupla colorida de laranja forte e azul celeste, terão nisso a sua elevada quota de responsabilidade. 
Quanto ao “esforço do povo” estamos perante uma frase sem sentido, relevando uma sintomática impropriedade semântica e uma notória divergência com a realidade.
Na ânsia de lisonjear os cidadãos o ministro, do interior laranja, nem se deu conta de que esforço significa emprego de força, de energia, de empenho; também é tentativa e diligência para conseguir alguma coisa. Nada disto acontece.
O que se passa é que não foi o povo que criou as várias crises que atormentam a maioria da população. E não é ele que desenvolve as tentativas e diligências para conseguir a resolução dos inúmeros problemas que afectam o país. Nem sequer ele é consultado e tido em consideração.
Sobretudo, agora, este povo não é tratado com urbanidade, em clima de harmonia, de fraternidade e de compreensão das situações e da gravidade dos problemas causados aos cidadãos; estes, vítimas indefesas das políticas vigentes.
Afinal, algo de diferente há que considerar. Exactamente, a circunstância de que o povo tem vindo, nos últimos tempos, a estar sujeito a aguentar e a sofrer os sacrifícios e as agressões físicas e psíquicas que os governantes lhe tem imposto com a maior severidade grande desrespeito, bastante e acintosa ofensa e enorme falta de sensibilidade social. Portanto, neste quadro de irracionalidade e de várias imposições ditatoriais, o povo não suporta as inerentes consequências, nem está imbuído de espírito voluntarioso ou com intrínseca resignação; tão-pouco desenvolve, neste obscuro campo, quaisquer esforços próprios - ou seja: esforços, canseiras, sofrimentos, privações, designadamente, em síntese, sacrifícios livremente assumidos.
Por que – repete-se – tudo lhe é imposto, sem qualquer contemplação pelos direitos inalienáveis da pessoa humana.
Fim